
A base de todo o conhecimento, seja sobre este mundo ou sobre os universos subtis, surge certamente de uma experiência concreta.
A experiência é total ou parcial / incompleta, mas refere-se sempre à realidade do objecto experienciado / percepcionado.
Houve (há) muitos debates sobre a realidade do mundo físico. Entre eles, mencionaremos a doutrina monista do sábio Shankaracharya (da qual surgiu o VEDANTA) como comparação com o ponto de vista tântrico, que será o nosso principal tema de interesse.
Shankaracharya define a Realidade como sendo aquilo que não muda, ao contrário da experiência finita, que - embora "real" por um momento - acaba por mudar.
Considerado a partir desta perspetiva, o nosso universo - como uma coisa em mudança - tem uma realidade relativa. Consequentemente, para Shankaracharya e os seus seguidores, o mundo que vivemos AQUI e AGORA não é real, é apenas uma ilusão que temos de ultrapassar para experimentar a Realidade Última.
Este ponto de vista é verdadeiro, se olharmos para as coisas da perspetiva do Absoluto Transcendente (BRAHMAN).
O ponto de vista tântrico sobre estes aspectos assenta na ideia de que este mundo é NECESSARIAMENTE real. Assim, uma determinada coisa pode ser real e, ao mesmo tempo, sujeita a mudanças.
No Tantra, o casal divino Shiva e Shakti representa a experiência real e total do universo. Para que possamos compreender a Realidade, diz-se que eles se limitam e se "contraem" em fragmentos da Realidade que pertencem à Realidade Suprema, num gesto de sacrifício divino.
O adepto tântrico tem de perceber a sua própria realidade, de se convencer da realidade deste mundo como base das suas acções. Para os tântricos, este universo é real porque tem origem no casal divino Shiva-Shakti.
A experiência total que se pode ter é, de facto, a Consciência do Supremo, da qual emergiu o Macro cosmos.
A experiência finita e limitada tem um carácter fragmentado; consequentemente, o conhecimento obtido a partir desta experiência não será do Todo. A essência da experiência limitada é a experiência que temos dentro dos limites do tempo e do espaço.
No entanto, a experiência Última, pela sua natureza permanente, situa-se para além do tempo e do espaço, uma vez que o tempo e o espaço definem a mudança.
Como demonstrado anteriormente, a "ilusão" representa meramente a experiência do Eu Supremo no tempo e no espaço.
Um aspeto importante do Tantra é estarmos conscientes das nossas acções, mesmo as mais comuns, como comer. A ideia por detrás desta concentração na ação presente é que, ao fazê-lo, o passado e o futuro "desaparecem". O que fica é o presente, o eterno "agora", que nos faz ultrapassar a noção vulgar de tempo. Isto é sinónimo de aproximação à Fonte Suprema, que transcende tanto o Tempo como o Espaço.
O conselho do famoso tratado secreto VIJNANA BHAIRAVA TANTRA diz que devemos tornar-nos um com a comida ou bebida que estamos a consumir, preenchendo o nosso próprio ser com ela. (Fica a inspiração para a ceia de Natal. )
Além disso, outro sutra do mesmo tratado diz-nos que, ao cantar, olhar ou saborear algo, devemos estar sempre completamente conscientes, pois é assim que descobriremos a vida eterna.
"Estar em ação significa ser livre nessa ação." Este é o ponto de rutura, o ponto em que se pode alcançar a consciência última aqui